Queridos filhos,
Há quanto tempo tenho falado com vocês sem me fazer ouvir.
Me pergunto o porquê de tanta pressa, ambição, insatisfação ...
Vocês têm a mesma origem, nasceram de uma única semente,
são irmãos ...
Sempre estive presente em vocês, em cada um de vocês, em tudo, no todo ...
Posso ser reconhecido ao contemplarem um pôr do sol, uma lua cheia, no nascer de um novo dia ...
Ao ouvirem o silêncio das matas, no canto de um pássaro...
Estou no mistério da vida, na busca por sentido,
em um momento de entrega, em um sorriso sincero, em uma lágrima de dor ...
Estou também na emoção, na troca de olhares, em uma poesia, em uma linda canção ...
O que fez vocês buscarem o barulho do mundo, a dispersão, se afastarem tanto do que realmente querem, do que de fato são ...
Criaram falsas necessidades, acreditaram que a vida é apenas satisfazer desejos, vaidade, ilusão ...
Se dividem, se atacam, se defendem. Criam inimigos imaginários, ideológicos.
Se enfraquecem em discussões inúteis, na falta de coerência para sustentar o que falam.
Me pergunto o porquê de escolherem o caminho da dor ...
Nele estarão sempre presentes o julgamento, a rejeição, a exclusão. E aí vocês estarão sozinhos, terão como companhia a própria solidão.
Se existe uma estrada sombreada, onde até o tempo respeita o ritmo da vida,
onde a finitude é reconhecida como certeza, onde a confiança nos sustenta, e a paisagem nos convida a contemplar ...
Pense, considere, que há um outro caminho, ou, uma nova maneira de caminhar.
Com leveza, presença e gratidão...
Lá vocês vão me reconhecer, lá vocês vão me encontrar ...
Sou eu, o Amor ...
a sua, a nossa,
capacidade de Amar ...
